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Nando Rocha | As primeiras impressões de Portugal

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As primeiras impressões de Portugal são as melhores possíveis. Ainda sentimos muito a falta da família, atenuada pelas constantes ligações de vídeo (a internet é demais nesse sentido). Estamos naquela fase natural de todo brasileiro que tinha uma vida confortável no país e arrisca uma aventura no desconhecido, com uma vida começando quase do zero, poucos amigos, sem carro, casa menor, falta de estabilidade financeira, etc, etc e etc (e mais um pouco de etcetera pelos pormenores dos primeiros dias, imprevistos e corrida maluca atrás de toda documentação necessária).

Mas isso era calculado. O que não fazia parte do meu imaginário e me parece um tanto surreal é poder andar na rua a hora que for (literalmente, incluindo madrugada e amanhecer do dia) sem medo de perder o celular, a carteira, a vida. Os portugueses são diretos e literais. Dificilmente vão dar um jeitinho. E isso é bom. Mas também pode ser ruim. Nós, brasileiros, somos solidários (olhando pelo lado positivo) e extremamente conectados uns com os outros. E, novamente, isso pode ser bom. Mas também pode ser invasivo. E isso é ruim.

Portugueses são independentes. É meio que cada um por si. Exceto as senhorinhas. Elas são um amor. Caminham bastante, tomam sol nas praças e estão sempre prontas a puxar uma conversa. Adoram crianças e, pasmem: brasileiros. Nunca vi um ar de discriminação ou reprovação quando dissemos que somos brasileiros. Bem pelo contrário.

Moro numa cidade de 37 mil habitantes que tem uma Universidade com cursos de Mestrado e Doutorado. Inimaginável no Brasil. O acesso ao estudo é muito facilitado em terras lusitanas e talvez isso explique o porquê eu nunca encontrei um policial caminhando nas ruas e mesmo assim me sinto seguro.  Eu vi uma viatura da polícia em vinte dias e eles estavam de boas fazendo um lanche. Nós moramos na parte antiga da Covilhã, num lugar onde é carinhosamente chamado de Pelourinho. São pequenas ruelas embelezadas por arte urbana, grandes luminárias, piso e paredes de pedras. Ruas e ruas assim. Apertadinhas e aconchegantes.

Já voltei para casa à meia-noite em dia de semana e os portugueses ainda se amontoam em barzinhos à luz da lua sem a menor preocupação. Encontrei três farmácias na cidade. E olha que tenho feito uma base de 10km por dia caminhando. Conheci quase todos os cantinhos de Covilhã. E, diferente de Gravataí, onde as farmácias se acumulam em cada esquina, temos que caminhar bastante para encontrar uma. Talvez as pessoas adoeçam menos. Coincidência ou não, esses dias parei para olhar um poste na rua. E olhei outro e outro. E não achei fio.

Fui me informar e toda fiação é subterrânea. Assim como o tratamento da água e esgoto. Água tratada, menos doenças. Os postes e as farmácias talvez sejam causa e consequência. Menos fios, menos farmácias, menos doenças. Sigo daqui amando o Brasil e tentando, mentalmente, aplicar cada ideia de novo mundo no nosso país, mesmo que talvez isso nunca saia do meu imaginário. Nós merecíamos caminhar livres pela rua, ter mais acesso à educação e não viver na ditadura da violência urbana que impera no nosso país. 

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