Política

Luís Felipe | Os caminhos de Jones Martins para chegar à Prefeitura

Publicado

-

Jones e Marco na primeira audiência após a posse como deputado federal, em 2016. Foto: Divulgação

Certa vez, ao escrever sobre o ex-deputado federal e candidato a prefeito Jones Martins (MDB), eu escrevi a seguinte frase: “Jones deve ser protagonista da própria história”. E agora complemento, com opiniões que me acompanham desde o início da cobertura da escolha do candidato do MDB à sucessão do prefeito Marco Alba.

Quero nesta coluna traçar dois movimentos, ora tidos como solução, ora como alucinação de quem os propõe. Antes, preciso explicar o significado de “Jones deve ser protagonista da própria história”.

Para uma pessoa como Jones, que ostenta uma biografia que poucos podem ostentar: um destacado vereador por três mandatos, Secretário Municipal de Saúde, alto assessor no Ministério da Saúde e Deputado Federal dedicado a construção do Hospital do Câncer, não cabe o papel de coadjuvante na história em que outra pessoa tem o papel principal. Ou seja, não há mais tempo a perder se o sonho de governar a cidade ainda existir.

Hoje, Jones tem dois caminhos que o levam ao posto de candidato a prefeito de Gravataí. E como em toda história, um caminho é mais árduo do que o outro.

Partindo de onde está, Jones deverá disputar a indicação do MDB em uma prévia na qual os 45 membros do Diretório Municipal também terão como candidatos o vereador Nadir Rocha e o Secretário de Governança Luiz Zaffalon. Pelos cálculos atuais, mesmo com uma desistência de Nadir, Jones teria pouco mais de um mês para virar mais de vinte votos a seu favor. Tarefa muito difícil dentro de um diretório milimetricamente constituído de pessoas próximas ao prefeito Marco Alba.

Outro cenário: um partido diferente! Partido em que Jones teria o caminho livre para disputar a prefeitura e uma militância 100% fechada consigo. Hoje são duas as opções: o Progressistas, do vereador Robertinho Andrade, grande amigo com quem Jones já foi visto inúmeras vezes articulando, inclusive a possibilidade de filiação.

Também há a possibilidade de Francisco Pinho abrir as portas do seu PSDB para Jones e os seus mais próximos, o que não seria surpresa para ninguém já que Jones tem muitos apoiadores já filiados no partido do governador Eduardo Leite, com quem Jones foi visto recentemente no litoral.

A vantagem desse caminho é que Jones teria um número menor de pessoas para convencer. A dificuldade é que os dois partidos integram o governo municipal e até hoje foram fiéis ao prefeito. Conta também o tempo que está passando, para concorrer, Jones tem de estar filiado a algum partido até o dia 04 de abril.

Tanto no Progressistas quanto no PSDB, Jones manteria o discurso de trinta anos e manteria também as boas relações que construiu em Brasília e São Paulo. Aliás, estas relações são a única razão pela permanência de Jones no MDB, segundo alguns partidários.

A dificuldade de uma troca de partido está no campo pessoal. É extremamente difícil sair de uma sigla cuja qual você integra desde a juventude, mesmo que no seu destino estejam pessoas com quem você também convive há décadas. Afinal, Jones, Pinho e Robertinho foram colegas de Câmara Municipal.