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Juliano Piasentin | Quem disse que futebol e política não se discutem?

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Jogadores do Athlético entraram em campo com camisetas apoiando o presidente Jair Bolsonaro. Foto: CAP/Divulgação

 

Política e futebol são assuntos que no ditado popular costumamos dizer que não se discutem, sou de opinião contrária. Existindo respeito nas opiniões distintas, são sim de relevância para conversas de bar, mesas redondas e o bom e velho papo entre amigos, não se cria inimizade onde há respeito.

Ao entrar neste assunto, lembro que estamos em um momento de polarização em que tudo que falamos ou escrevemos vira acusações de “Lado A” ou “Lado B”, não pretendo entrar nisso. Apenas colocar alguns pontos importantes nessa relação política com o nosso futebol, algo que ocorre há tempos e sim é importante ser falado.

Recentemente os presidentes de Flamengo e Vasco da Gama, Rodolfo Landim e Alexandre Campello respectivamente, se reuniram com Jair Bolsonaro em Brasília, a pauta? O retorno dos campeonatos e os treinamentos no Rio de Janeiro. Bolsonaro disponibilizou a capital federal para que ambos retornem para suas atividades normalmente, algo que no momento não pode ocorrer em território carioca.

Os rivais Botafogo e Fluminense se pronunciaram e fizeram críticas ao rubro-negro e o cruzmaltino, membro de gestão botafoguense, Carlos Augusto Montenegro, afirmou que o clube da estrela solitária não retorna enquanto os números de casos não diminuírem.

No lado das Laranjeiras, o vice-presidente geral do clube, Celso Barros, médico e ex-presidente da Unimed Rio, disse que Flamengo e Vasco prestam enorme desserviço a população e ainda afirmou: “No Rio de Janeiro, que é a base desses dois clubes, as mortes não param de crescer. (…) Com todo o respeito, penso que o Vasco e o Flamengo prestaram um enorme desserviço à população carioca e brasileira, ao procurarem endossar que tudo isso não passa de uma “gripezinha” e que, no caso deles, significa retornar as atividades, desrespeitando os atletas, funcionários e suas famílias”.

Este porém foi apenas o caso mais recente, em 1970 o jingle: Noventa milhões em ação
Pra frente Brasil… que embalou o tri-campeonato mundial da Seleção Brasileira, foi posteriormente utilizado pelo regime militar e ainda se aproveitando do sucesso na Copa do Mundo o governo passou a investir em publicidade patriótica.

Ainda na década de 70, João Saldanha que havia montado a equipe campeã no México, foi demitido da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) após afirmar: “Eu não escalo ministério, nem o presidente escala time. Você está vendo que nos entendemos muito bem”, após o presidente Emilio Médici dar palpites sobre o time, Saldanha era filiado ao PCB (Partido Comunista Brasileiro), opositor da ditadura. Nos anos de 1980, mais precisamente em 1984, o ídolo corintiano, Sócrates, líder da chamada Democracia Corinthiana, atuou também na linha de frente pela campanha das Diretas Já, pedindo o fim da ditadura militar.

Ainda sobre o Corinthians, outro episódio ocorreu em 2011, os jogadores do clube paulista entraram em campo com uma faixa com os seguintes dizeres: #ForçaLula. O ex-presidente enfrentava problemas de saúde e é torcedor do time do Parque São Jorge.

Jogadores do Corinthians entraram com faixa apoiando Lula. Foto: Divulgação

 

Mais recentemente, em outubro de 2018, o Athletico Paranaense entrou em campo em uma rodada do Brasileirão com uma camiseta amarela escrita: # Vamos Todos Juntos Por Amor ao Brasil. A camiseta era uma referência a Jair Bolsonaro, então apoiado pela patrocinadora e pela diretória do furacão. O Atlhetico foi multado pela CBF na ocasião.

Outro apoiador de Bolsonaro é o volante Felipe Melo do Palmeiras, ele dedicou um gol ao então candidato a presidência e afirmou que a homenagem era para o futuro presidente, depois de eleito inclusive o presidente participou da festa do título brasileiro palmeirense. Aliás, Jair Bolsonaro é frequentemente visto utilizando camisetas de clubes brasileiros, presentes de apoiadores e parlamentares.

Outro episódio que me chamou a atenção foi o embate entre Raí, ídolo e dirigente do São Paulo e Caio Ribeiro, ex-jogador e comentarista da Rede Globo e Sportv. Raí se pronunciou criticando o presidente Bolsonaro pedindo sua renúncia, Caio Ribeiro que é um apoiador fez duras críticas e falou que Raí deveria falar apenas de futebol.

Podemos concordar ou discordar da opinião do ex-camisa 10 são-paulino, porém estamos sim em uma democracia e temos direito de expor nossos pensamentos, inclusive falar e discutirmos sobre futebol e política.