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Janeiro tem o recorde de casos de estupros registrados em Gravataí

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O primeiro mês de 2020 registrou o maior número de estupros em Gravataí desde 2018, de acordo com os dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, foram 14 casos. Em 2019, o mês com maior número de registros foi março, com 6 casos. Já em 2018,  maio e agosto tiveram 8 registros.

Os anos anteriores não contam com dados mensais na SSP, apenas os totais anuais entre 2012 e 2017. Mas mesmo na comparação com valores para 12 meses, os números de janeiro são relevantes. O ano com o maior número de registros foi 2016, com 93 casos. Na comparação, apenas nos primeiros 31 dias de 2020 apresentam um sexto do total daquele ano.

De acordo com o Delegado Eduardo Amaral, que responde pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Gravataí, o aumento de casos registrados pode estar relacionado ao entendimento sobre o estupro. “Antes, só a conjunção carnal era considerada estupro. Este conceito mudou e outros casos também são entendidos como estupro, outros tipos de violência e toques”, explica.

Outro fator que pode estar relacionado à estatística é o fato de mais mulheres terem procurado a Polícia Civil para denunciar os agressores. “A maioria das vezes, a violência sexual acontece em um ambiente familiar. A polícia judiciária só pode agir a partir do momento em que há uma denúncia”, revela.

Denúncias são fundamentais para acabar com o ciclo de violência

Como depende do relato da vítimas, mesmo quando o agressor é preso, dificilmente a detenção acontece em flagrante, mas Amaral conta que no mês passado, a rapidez na denúncia permitiu que o suspeito fosse preso no mesmo dia. A vítima foi violentada pelo cunhado. Com medo de que a irmã, esposa do agressor, ficasse contra ela, a mulher pensou em não denunciar, mas após conversar com a mãe, mudou de ideia.

“Ela nos contou o que havia acontecido e revelou onde trabalhava. Encaminhamos a vítima para exames e conseguimos prender o cunhado em flagrante”, conta o delegado. Neste caso, a rapidez na denúncia foi decisiva para a prisão.

Amaral lembra também que quando um estuprador é preso, ele não só deixa de praticar a violência contra aquela que o denunciou, como também é impedido de transformar novas mulheres em vítimas. “A denúncia é o que acaba com o ciclo de violência. Quando o agressor é preso, ele não pode mais praticar a violência contra a vítima e nem contra outras vítimas”, avalia.

O delegado faz questão de ressaltar que a DEAM oferece todo o apoio às mulheres que sofrem violência. “É importante deixar claro que a Deam está de portas abertas. A vítima vai ser acolhida e o agressor vai ser punido”, reforça. Além da delegacia, que conta com policiais preparados para receber o depoimento das vítimas, as mulheres também contam com uma rede de proteção que conta com o Conselho Tutelar (em casos envolvendo crianças e adolescentes), Centro de Referência de Assistência Social, Patrulha Maria da Penha, entre outros.