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Giovani de Oliveira | Luan e D’Alessandro, reis da América, injustiçados no Rio Grande

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Fotos: Lucas Ubel/ Grêmio e Ricardo Duarte/Inter

Pelos campos de futebol do Rio Grande do Sul desfilam dois jogadores que já receberam o título de “Rei da América”, um pelo lado vermelho e outro pelo lado azul do estado.  Pelo Internacional, D’Alessandro foi escolhido o melhor jogador do continente em 2010. Já no lado do Grêmio, Luan foi o craque da América em 2017. Hoje, os dois são injustiçados no solo gaúcho.

Luan, líder de assistências

Atacante gremista cresce em momentos decisivos. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Luan, tem 26 anos, fará 27 em março. Está em uma idade em que os jogadores costumam estar em seu auge. Atacante de rara qualidade, teve problemas em 2019, esteve mais no Departamento Médico do que em campo. Jogou apenas 36 partidas este ano, mas foi o suficiente para ser o terceiro artilheiro do tricolor, com 9 gols e o líder de assistências do time, com 10 passes para gols.

O jogador já vestiu a camisa da Seleção, e, com a camisa tricolor, é campeão da Copa do Brasil, da Libertadores da América, da Recopa, e duas vezes do Gauchão. Está entre os 13 atletas que mais balançaram as redes pelo Tricolor, foram 77 gols, três a mais que Renato Portaluppi, maior ídolo da história gremista.

Mas as duas últimas temporadas não foram no nível que se espera de Luan e, agora a diretoria parece fazer um esforço para vê-lo longe da Arena. Quase como se o colocassem em uma prateleira com um cartaz de liquidação. Situação semelhante à que aconteceu no início do ano, quando o tricolor chegou a cogitar usar o ídolo como moeda de troca, para trazer Thiago Neves, que, no final de temporada, ficou marcado como um dos vilões do rebaixamento do Cruzeiro.

Esta ânsia de se desfazer de Luan, não só desvaloriza uma patrimônio do Grêmio e desrespeita a história de um ídolo, como, me parece, um erro grava de avaliação técnica. Fora de Porto Alegre, Luan será titular em qualquer time que jogue (talvez não no Flamengo, mas os cariocas estão em outro patamar). Jogador decisivo, não vai demorar para deixar o torcedor com saudade.

D’Alessandro, líder técnico e emocional

Argentino é líder do grupo colorado. Foto: Ricardo Duarte/Inter

Diferente do gremista, D’Alessandro, de fato, já passou de seu auge. Aos 38 anos, o meia sabe que está perto de encerrar a sua carreira vitoriosa. É possivelmente um dos três maiores nomes da história do Internacional, junto com Falcão e Fernandão. Sua galeria de troféus é grande, tem Libertadores da América, Sul-Americana, Recopa, seis Campeonatos Gaúchos.

Mesmo atuando muito mais como um garçom, é o décimo quinto maior artilheiro colorado, com 92 gols. Entre aqueles que mais vestiram a camisa do Inter, ocupa a terceira colocação, com 471 partidas.

É verdade que o argentino não é mais aquele de 2010, nem seria justo esperar isto dele. Porém o jogador está longe de ser o jogador desprezível, pintado por parte da imprensa que pega no seu pé desde muito cedo. D’Alessandro é muito diferente de todo o resto do Internacional, talvez apenas Guerrero seja semelhante.

Quando o “velhinho” está em campo, gera uma preocupação para os adversários, inflama seu time e também a arquibancada. Muito se reclama da apatia colorada em momentos decisivos. O camisa 10 é o único que consegue mudar isso, mostrar indignação, é um líder no campo e no vestiário. E, principalmente, agrega qualidade.

Para não ficar em um exemplo distante, a derrota para o São Paulo foi uma mostra disso. O time colocado em campo por Zé Ricardo foi vergonhoso, sem força, sem qualidade, e sem brio. Quando já estava 2×0 para os paulistas, o treinador chamou o argentino e disse “resolve”. Era tarde, mas a mudança foi evidente. Os jogadores começaram a lutar em campo e, em um lance que nenhum outro no Beira-Rio é capaz de reproduzir, D’Alessandro se livrou de quatro marcadores e deu um passe milimétrico, vertical, atravessando o campo, para iniciar a jogada do gol do Inter.

E os companheiros…

Até posso aceitar discutir se  Luan e D’Alessandro ainda são suficientes para a dupla Gre-Nal, mas será que eles realmente foram problemas para seus times? Não consigo aceitar que em um time que teve Paulo Victor, Léo Moura, Galhardo, Juninho Capixaba, Michel, Montoya, Tardelli, André, Vizeu, entre outros, o problema tenha sido Luan. De mesma forma que antes de culpar D’Alessandro, preciso lembrar que ao seu redor tinha Bruno, Uendel, Bruno Silva, Guilherme Parede, Pottker, Wellington Silva, e Cia.