Como as placas padrão Mercosul dificultam o trabalho das polícias em Gravataí

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Foto: Giro de Gravataí/Especial

Foi no dia 18 de dezembro que os veículos emplacados em todo o Brasil passaram a contar com um novo modelo de placa. A nova identificação conta com uma sequência de três letras, um número, outra letra e dois números finais. No entanto, com a implantação do modelo Mercosul, veio também a dificuldade na hora de identificar um veículo suspeito e a facilidade na clonagem, pontos que tornaram a placa aliada à criminalidade.

A reportagem do Giro de Gravataí conversou com policiais civis e militares sobre o emplacamento, que tem dificultado o trabalho das forças de segurança na cidade. Conforme um policia civil, que preferiu não se identificar, com a nova placa aumenta a dificuldade da análise de câmeras de segurança quando o objetivo é identificar a placa de um veículo investigado por algum crime na cidade.

“Fica complicado, pois com as antigas ainda era possível deduzir a placa e tentar puxar no sistema, mas agora com essa nova, os números não ficam nem separados, e se misturam com letras, sem contar que podem ser facilmente colocadas e retiradas, já que não possuem mais lacre”, destacou o investigador.

Avaliação negativa também na BM

O responsável pelo 17º BPM de Gravataí, major Luis Felipe Neves, destacou a dificuldade na averiguação pela perda da característica dos veículos separados pelos municípios nos quais eram emplacados. “Além da perda do lacre, se  perde aquela característica de desconfiar do veículo se for de fora da cidade. Não que o município indica a abordagem, mas se dá uma atenção mais específica. Agora todas são do Brasil, podemos dizer assim, então nesse aspecto ela dificulta nosso trabalho, exige um pouco mais dos policiais”, destacou Neves.

Facilidade no furto e roubo de veículos

Uma outra dificuldade que os policiais relataram é a memorização da placa em ocorrências de furto e roubo de veículos em Gravataí. Em muitos casos, contado à reportagem, nem os proprietários, vítimas dos roubos e furtos, informam corretamente a placa de seus veículos. “Fica difícil pois diversas ocorrências de furto são passadas em nossa rede, e muitas delas ficam desencontradas, pois os números e letras se confundem, dificultando uma rápida verificação, como acontece com as antigas. Os proprietários, que não são acostumados, acabam passando a placa errada. Reduz o índice de recuperação dos veículos”, relatou um policial militar.

Sem lacre, criminosos chegam a utilizar duas placas na mesma noite para cometer crimes com os carros, em alguns casos, utilizando de seu próprio automóvel, devido a dificuldade de identificação em câmeras de vigilância por conta do sistema refletivo que vem com o novo modelo de emplacamento. “O refletivo, em algumas câmeras, fica inelegível”, finalizou o policial.

Para saber

Em janeiro, conforme um levantamento feito pelo Departamento de Trânsito do Rio Grande do Sul – DetranRS, cerca de 65 mil veículos já haviam sido emplacados com o novo modelo. A exigência é valida para carros novos, transferência de cidade ou propriedade e veículos em mudança de categoria. O preço de um par das novas placas passou de R$ 120 para R$ 250. Para motocicletas o valor subiu de R$ 70 para R$ 150.

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