Superlotação em delegacia de Gravataí coloca policiais e presos em risco

Devido à falta de vagas nos presídios de todo o estado, os detentos estão sendo obrigados a permanecer nas Delegacias de Pronto Atendimento. As celas das DPPAS foram projetadas para os presos permanecerem por tempo determinado de no máximo 24 horas, após isso, o apenado era obrigado a ser transferido para o sistema prisional.

Por serem celas de passagem, elas não contam com camas, banheiros e nem sequer chuveiros. As Mulheres e os menores de idade ficam algemados em um banco que fica aproximadamente um metro e meio das celas dos presos.

Nossa reportagem foi até a Delegacia de Pronto Atendimento de Gravataí para saber como está a situação por lá. Um agente que não quis se identificar, falou com nossa equipe e apontou os problemas que ele e seus colegas plantonistas vem enfrentando há meses.

GG Qual a atual situação da Delegacia?

Agente – Estamos trabalhando com um efetivo menor do que o previsto em lei, além disso, fica complicado trabalhar, porque temos que fazer os flagrantes, registrar as ocorrências e cuidar dos presos. Não fizemos o concurso para isso, porém essa é nossa real situação.

No meu último plantão eu fui até a cela e eles estavam exaltados, um deles me falou: Eu como empacotador de supermercado, ganho mais que tu, com esse salário parcelado que tu recebe. Esse caos no sistema carcerário afeta também o nosso lado psicológico. É bem complicado trabalhar assim.

GG – O governo não dá alimentação para os presos e como é cela provisória, como está a situação da comida e da higiene deles?

Agente – Muito dos presos tem os familiares que trazem comida, outros nem família tem, e como o governo não dá a alimentação, eles ficam sem comer. Muitas vezes os presos que recebem o alimento dos familiares, acabam dividindo com os que não recebem. Às vezes eles começam a gritar e bater na grade dizendo que estão com fome, porém não temos muito que fazer, alguns realmente estão passando fome ali.

Tem presos no local que estão há mais de cinco dias sem tomar banho, sem fazer sua higiene pessoal. Isso é prejudicial para todos aqui. A cela não tem uma estrutura igual a de um presídio, eles não tem nem onde fazer as necessidades.

GG – Se as duas celas da DPPA ficarem lotadas, qual a recomendação?

Agente – Na última quinta-feira (03) as celas estavam totalmente ocupadas, então a Brigada Militar chegou com um homem que foi preso em flagrante, e ele teve que ficar dentro da viatura, pois aqui dentro não tínhamos como colocar ele. Enquanto não tiver vagas nos presídios vamos ficar nessa. Mas a recomendação é que se coloque nas viaturas.

Até o fechamento desta matéria, nove presos estavam detidos na DPPA do município. Sem previsão de saída, aguardavam vagas nos presídios do estado. Na última terça-feira, Cezar Schirmer, secretário de Segurança Pública do estado, anunciou cinco medidas emergenciais para resolver o problema da superlotação nas DPPAs.

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