Rodrigo Westeuser: Turismo em Gravataí? Como assim?



 

Fonte do Forno | Foto: Rodrigo Westauser

Estamos de volta para a segunda coluna da série sobre Turismo em Gravataí. Após a publicação da primeira coluna sobre a (in)existência de Turismo na cidade de Gravataí no domingo, dia 27 de agosto, confesso que fui surpreendido positivamente com o número de pessoas que leram, comentaram e interagiram com a matéria.

Dessa vez, trataremos sobre a Fonte Boca do Forno, que se localiza no centro de Gravataí, ali no final da Rua Nossa Senhora dos Anjos.

No início do século XX, o fornecimento de água era bastante precário e a população utilizava poços, vertentes e fontes naturais nos fundos dos quintais. Na metade do século XIX, na Aldeia dos Anjos, atual município de Gravataí, surgiu a ideia de construir uma fonte pública. No ano de 1862 foi construída então a Fonte do Forno, que se tornou o principal ponto de captação de água da Aldeia dos Anjos naquela época, tornando-se, muitos anos depois, ponto turístico da cidade. À época, uma comissão foi formada para definir os parâmetros de construção da fonte. Compuseram o grupo os tenentes-coronéis André Machado de Moraes Sarmento, Felisbino Antônio Alves e Manoel Joaquim Garcês Cabeleira, além do capitão Antônio Rodrigues da Fonseca e de José Francisco de Jesus.

As fontes deveriam ser cobertas, contando com uma abóbada construída de cal, areia e tijolos e fechadas na frente com uma cancela de ferro. A fonte foi construída pelo mestre Augusto, seguindo ordens do coronel Fonseca, então intendente de Gravataí. Devido a seu formato, a construção foi batizada de Fonte do Forno. A vertente provia água não só aos habitantes de Gravataí, mas também aos moradores de vilarejos vizinhos e a cavalarianos que frequentemente passavam por ali e paravam para se refrescar, aproveitando para encher seus cantis com água fresca. Os índios que moravam na cidade eram um dos mais afetados com a falta de água, então por um tempo eles se mudaram para os arredores da fonte pública.

Fonte do Forno | Foto: Rodrigo Westauser

Agora falemos um pouco sobre a lenda da Fonte: existe uma lenda que diz que todos os dias, ao entardecer, um anjo saciava sua sede na fonte, atribuindo-lhe um poder mágico. Segundo a crença, quem bebesse daquela nascente jamais se afastaria da aldeia, ou se isso ocorresse logo voltaria. Devido a esta fábula, as jovens levavam os namorados ao local para tomar água, na esperança de garantirem seus amados.

Patrimônio histórico: a fonte está na Praça do Forno, no final da avenida Nossa Senhora dos Anjos, entre as ruas Eng. José M. Viana e Coronel Sarmento, no centro de Gravataí, podendo ser visitada em qualquer dia e horário. O lugar tem área de 1.287,00m² com vegetação de arbustos e uma amoreira. A Fonte do Forno foi tombada como patrimônio histórico do município através do decreto nº 4.367/00.

Embora seja um patrimônio histórico declarado pelo município, não há nenhuma sinalização turística, que de praxe deve ser feita com placas de sinalização na cor marrom. O local encontra-se sem nenhuma infraestrutura, não há nenhuma informação sobre a importância histórico-cultural do atrativo, não há lixeiros, bancos, e nenhum tipo de ação é desenvolvida pelo município para manter o atrativo disponível à população.

Ao conversar com os vizinhos da fonte e questionar sobre as ações públicas realizadas, fui informado de que a limpeza – leia-se varrição – da “praça” é feita pelo pessoal da prefeitura, porém a manutenção de escadas, vias de acesso e demais manutenções são feitas pelos moradores do entorno.

Lamentável que um MONUMENTO que relata a história da nossa cidade e do nosso povoamento esteja largado à própria sorte.


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