Rodrigo Westeuser: Manotas Musicais que encheram os olhos, os ouvidos e a imaginação



 

O Grupo Trampulim, lá de Belo Horizonte, em seu site se define como: “Palhaço, circo, música, artes cênicas, renovação, criatividade. O Grupo Trampulim é tudo isso misturado”. E eles, de fato, são tudo isso e muito mais.
O grupo foi criado em 1994 e especializou-se na linguagem do palhaço (clown). Aliada à música e à improvisação, essa linguagem é o eixo artístico dessa companhia. Eles estiveram no SESC Gravataí no dia 05 de Abril com o espetáculo Manotas Musicais.

 
No espetáculo, os palhaços Benedita Jacarandá, vivida por Adriana Morales e Sabonete, fruto do ator Tiago Mafra, agora resolveram que são músicos clássicos. Para isso convidam uma banda composta por três exímios paspalhos, vividos pelos talentosos Maria Milagros Vazquez, Poliana Tuchia e Rafael Protzner. O que era para ser um grande ‘concerto’, se converte numa “Manota Musical!” Não satisfeitos, Benedita e Sabonete querem ser maestros! A orquestra? É a plateia. “Manotas Musicais” nasce do uso da música como ferramenta de jogo para o palhaço. Com um repertório eclético, jogos musicais e gags tradicionais de palhaço, Benedita e Sabonete conduzem o espetáculo a um momento final grandioso e espetacular.

 
A direção do espetáculo feita por Fernando Escriche mostrou-se primorosa e muito cuidadosa com todos detalhes. A concepção inclui o público na cena o tempo todo e usa as intervenções de quem assiste para construir novas situações cênicas. Ao chegarmos no teatro, fomos arrebatados pelo cenário grandioso e muito bonito, criado por Flávia Mafra e pelo próprio Grupo. Nem bem havíamos sentado, fomos chamados – eu e mais 3 amigos teatreiros, por coincidência – pela produção para um pedido especial: Alcançar alguns objetos do palco para a plateia, no final do espetáculo, quando os atores proferissem a frase-senha “Águia 2 a postos”.

 
Durante todo o transcorrer da peça fomos surpreendidos por clarinetes e violoncelos em cena, por jogos cênicos muito bem arranjados e por interpretações primorosas, inclusive no quesito da interação musical com a cena. Vimos situações hilárias que só o palhaço consegue explorar, risos descontrolados de quem assiste, enfim, o que há de melhor na técnica da palhaçaria e do fazer teatral.

 
Quando já nos encaminhávamos claramente para o final da peça, veio a tão esperada frase-senha: Águia 2 a postos”. E nisso, os atores abriram caixas enormes que compunham o cenário e delas começam a tirar muitos tambores, lançá-los para nós, que deveríamos alcançá-los para a plateia. Surpreendentemente, havia tambores para todos que assistiam. O público, sob a regência destes palhaços-maestros, se transforma numa grande orquestra musical. Foi uma farra musical, teatral, uma festa de vida vibrando forte. Todos sorrindo, brincando, jogando, totalmente entregues.

 
Ponto para o grupo por se prestar a fazer um bate-papo com o público por cerca de 15 minutos, levando mais informações do trabalho e do processo deles, das dificuldades, uma verdadeira aula. Ainda, como se não bastasse, ao sairmos do teatro encontramos uma lojinha montada vendendo produtos do Grupo Trampulim, DVDs dos espetáculos e doce-de-leite mineiro, embalado na palha de milho. Eu, obviamente, não resisti e comprei logo dois.
Como descreve a sinopse, “Manotas Musicais” é uma jornada recheada de humor, diversão e surpresas.

 

PS: Significado de manota: Ato falho, dizer ou fazer algo inconveniente e geralmente prejudicial ao próprio autor, cometer uma gafe, um “fora”, uma “mancada”.

http://www.trampulim.com.br
www.facebook.com/GrupoTrampulim


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