Por falta de vagas em prisões, viaturas viram celas para presos em Gravataí

Foto: Gabriel Siota Ganzer/Giro de Gravataí

A cena volta a se repetir em uma das maiores delegacias de pronto atendimento (DPPA) da região. Até o fechamento desta matéria, pelo menos oito pessoas estavam presas na DPPA e outras quatro aguardando vagas de dentro das viaturas. Policiais de Gravataí e Cachoeirinha travam uma batalha diária para fazer o patrulhamento ostensivo e custodiar os presos.

No lado de fora da delegacia é possível perceber uma grande quantidade de viaturas e policias da Guarda Municipal e da Brigada Militar. Além disso, familiares dos presos aguardam para a inspeção e revista dos alimentos que serão levados até os detentos.

Guarda Municipal: Há quase quinze dias, policiais da Guarda Municipal cumprem seus horários de serviço na custódia de presos. O detido é um homem de 54 anos acusado de estupro. Ele está em uma ala separada dos demais presos e aguarda vaga para dar entrada em alguma penitenciária do estado.

Uma viatura da Guarda Municipal também está estacionada em frente à DPPA. Nela está um jovem responsável por uma série de assaltos no bairro Morada do Vale. Ele precisou ficar dentro da viatura por falta de vaga nas celas da delegacia.

Foto: Gabriel Siota Ganzer/Giro de Gravataí

Brigada Militar: A situação é mais delicada para policiais militares. Duas viaturas da Brigada de Gravataí estão fazendo a custódia dos presos. Uma na DPPA de Gravataí e outra na delegacia de Alvorada, onde uma perseguição no município terminou com a prisão de uma dupla de criminosos na cidade de Alvorada.

Em uma das viaturas da Brigada Militar de Cachoeirinha, três presos aguardam vaga nas celas da delegacia. Um idoso de 84 anos está detido dentro de uma das viaturas. De acordo com a BM, ele é acusado de estupro, crime ocorrido há cinco anos. Outro homem, esse de 29, também está sendo custodiado e responde pelo mesmo crime. De acordo com a BM, ele tentou violentar um jovem no município de Cachoeirinha e acabou sendo linchado por populares.

Conforme um policial civil que não quis se identificar, a situação piorou de algumas semanas para cá e segundo ele, diariamente são feitas ligações para a Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE) pedindo vagas com extrema urgência.

“Estamos aqui vulneráveis a tudo. Quem perde com isso é a população. As viaturas estão aqui paradas e os policiais cuidando desses presos. Se o sistema tivesse funcionando, eles já estariam cumprindo sua pena e os policias já estariam atuando novamente na rua, cuidando da população e do cidadão de bem”, contou o agente.


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