Nando Rocha: O olhar que mudou meu mundo



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Nando Rocha – Giro de Gravataí 

Como essa é a minha primeira coluna no Giro, resolvi fazer uma breve apresentação. Tenho 33 anos, sou casado, administrador com especialidade em Comunicação e Marketing, comecei, orgulhosamente, a minha trajetória profissional, trabalhando como empacotador do Nacional com 15 anos (quando a legislação ainda permitia).

A partir daí, migrei para o marketing esportivo e político. Estudei 10 anos para conseguir me formar (grana e tempo – problemas em comum com a maioria dos acadêmicos – retardaram minha formatura), logo depois fiz Pós-Graduação em Comunicação e Marketing. Achei que havia vivenciado muita coisa, passando pela falência de uma pequena empresa do meu pai até a cura da leucemia da minha mãe. Então, numa linda noite fria e nublada de julho de 2014, encontrei o olhar que mudou minha vida.

A Lauren nasceu sem chorar, mas eu já sentia no olhar, a expressão mais doce e recíproca que sentira desde que me entendo por gente. O mesmo olhar que eu vejo hoje quando acordo e me revigora para enfrentar um dia cheio de trabalho. Eu achava engraçado a minha mãe dizer que o pai havia desmaiado quando nasci. Mas eu tive que me segurar no suporte do soro para não cair. Talvez eu esteja romantizando demais o nascimento de um filho, mas quem é pai, mãe, sabe o momento singular a que me refiro (e a saudade que sentimos quando lembramos desse momento).

A partir disso, comecei a utilizar as redes sociais para publicar pequenos relatos e fotos dos momentos de paternidade. Nada planejado, totalmente impulsivo. Uma forma de externar e compartilhar os nossos momentos. Um modo de transbordar amor. Até notar que muitas pessoas se surpreendiam com a nossa relação. A mim parecia tão natural cuidar, dar banho, mamá, trocar a fralda, levar para a escolinha, revezar as atividades com a mamãe, que não notava a importância daquilo como exemplo para um mundo que preconiza a mãe como cuidadora e o pai como caçador.

Recebi inúmeros feedbacks de meninas que, a partir dos meus relatos, passaram a compreender melhor as atitudes dos seus pais; de pais afastados dos seus filhos que se sensibilizavam e buscavam uma nova e afetiva relação; de jovens casais que antecipavam o sonho do filho para experimentar as mesmas vivências. E então deixei de ouvir quem me falava que ‘expunha de forma exagerada’ a Lauren.

Passei a entender que, embora minimamente, tinha uma responsabilidade. A de transmitir vivências positivas. A de mostrar que um pai também pode fazer o papel que a sociedade espera apenas de uma mãe. A de instigar os pais a criarem um ambiente recíproco de carinho e, sobretudo, presença física com os seus filhos.

E aqui estou começando uma nova e desafiante jornada. A de compartilhar essas pequenas histórias, talvez, comuns para muitos papais e mamães que se dispõem a criar seus filhos sob o prisma do amor e companheirismo. Espero que vocês gostem e que possamos estabelecer uma conexão de troca de experiências e um pouco de leveza num mundo tão pesado a que estamos submetidos. E essa foto é para ilustrar o dia em que a Lauren e o seu melhor amiguinho da escolinha, Lucas, fizeram as pazes, após um pequeno desentendimento. Aos poucos, vocês a conhecerão melhor. E também vão se apaixonar.

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