Nando Rocha: As mães que são mães, que são pais e que nem precisam ser mães para amarem como mães



Aprendi a valorizar o dom de ser mãe e após ser pai. Cada vez que alguém me via trocando uma fraldinha recheada e ficava surpreso: “nossa, mas tu também troca cocô?”, eu refletia que, se aquilo era surpreendente hoje, quantas e quantas gerações anteriores não dependeram única e exclusivamente da figura materna para tarefas tão básicas como trocar fralda, dar banho, fazer dormir, alimentar. Confesso que não existe nada, hoje em dia, que me deixe mais incomodado que alguém sugerir que eu “ajudo” na criação da minha filha. Sempre respondo que não ajudo, e sim, participo. No entanto, no fundo, eu sei que, naturalmente, sou um operário sem dom, um jogador médio que precisa treinar à exaustão para se igualar aos bons. E assim somos nós, papais.

Quando a Lauren resmunga à noite, por mais rápido que eu seja, a mamãe já está lá a acolhendo. Porque algo, de alguma forma, “notifica” a mãe antes do pai. Esse dom supremo que é ser mãe, ser abrigo do bebê por meses e porto seguro pelo resto da vida, é algo que precisamos humildemente reconhecer que nunca seremos. Depois de ser pai eu não consigo aceitar alguém que, após amadurecer, maltrata ou despreza a sua mãe. Desde as indisposições da gravidez, passando pelas dores do parto, a emoção do amamentar, até as noites em claro, as olheiras, o feeling de olhar seu filho e já saber se está com febre. Esse talento é materno. Nós podemos chegar lá – aliás, devemos -, porém, com muito esforço, paciência, determinação e treino, diária e incansavelmente, até porque não há nada mais justo que dividir as tarefas com a mamãe.

Todas as recordações que eu tenho de uma simples febre, que seja, quando pequeno, invariavelmente, me remetem à lembrança da minha mãe nos pés da cama. O que eu achava demais, antes, hoje eu vejo que era um idiota por julgar excesso de amor. Até acho que muito do que os pais participativos conseguem se tornar, o são, valendo-se do amor que transborda da mãe. Uma mãe ensina sem falar, com o instinto. Lamento muito pelos pais que fogem da sua responsabilidade, porque, além de perder o convívio doce com o filho, deixam de aprender sobre amor em cada gesto de uma mãe. Da mesma forma, triste do filho que não reconhece as dores e doses cavalares de amor de uma mãe que, aliás, está sempre de braços abertos aguardando a sua volta.

Feliz dia das mães a todas as mamães que são mães, que são pais, que não precisam nem ser mães para amar como mães. Que ensinam, que exageram, que dramatizam, mas que demonstram a cada olhar, cada gesto, cada ‘pega um casaco que vai esfriar’, cada ‘me manda uma mensagem quando chegar’, o quanto podemos aprender mais sobre amor na sua verdadeira essência.


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