Gravataí do passado: Um manicômio abandonado na parada 106?



Foto: Gabriel Siota Ganzer/Giro de Gravataí

Quem trafega pela ERS-020 encontra na altura da parada 106, entre os municípios de Gravataí e Taquara uma grande e misteriosa construção em meio a mata fechada. O local, por décadas foi rotulado como um manicômio abandonado e mal-assombrado, aguçando o imaginário de populares e causando estranheza para os moradores mais próximos.

Construído na década de 60, o complexo de prédios foi na verdade um orfanato-escola, ideia do Alemão José Aloísio Wichral. Zé, como era chamado por seus funcionários, era tido como um homem de bom coração e fugido da Alemanha, viu em Gravataí a oportunidade de ajudar as pessoas carentes e contribuir para o crescimento do município.

Há poucos metros mora a história viva

Edilte Konorath, 78 anos, a governanta do local

Não muito longe da construção, em uma residência que faz divisa com o terreno do prédio, mora a cozinheira que durante 20 anos trabalhou para a família Wishral e foi a governanta do orfanato-escola durante seu funcionamento no município.

Edilte Konorath, de 78 anos, é uma das únicas pessoas ainda vivas que acompanhou toda a construção do espaço. Hoje aos cuidados da filha, ela resume em poucas palavras as lembranças que tinha da época. “Tudo era muito lindo ali. Nós tínhamos um lindo jardim em frente ao orfanato. Tínhamos festa no local e depois foi vendido e tudo se acabou”, contou Edilte.

A filha dela, Márcia, conta como passou a infância no local, relata como eram as atividades desenvolvidas na escola e comenta sobre como o complexo ganhou a fama de mal-assombrado.

“Eu vivi a minha vida toda nesse lugar. Ele foi sendo construído aos poucos e a cada parte que era finalizada, o seu José tinha uma ideia diferente da anterior. Na época nós tínhamos oficinais de costura, atelier de calçados e atividades físicas. A pedido do idealizador, nós recebíamos também a visitas de grupos de escoteiros, do exército. Podemos dizer que o local era um centro comunitário”, completou ela.

Perguntada sobre os boatos do local ser mal-assombrando, Márcia revela um dos fatores que trouxe a fama para o local. “Como o local nunca foi concluído, diariamente os operários iam trabalhar ali. Na noite, nós como boas crianças, íamos até o espaço em construção, vestíamos umas roupas meio velhas e ficávamos andando nos cômodos para assustar eles. Tenho certeza que alguns deixaram de trabalhar no local por medo”, finalizou Márcia.

 

O fim

Em 1976, o patriarca da família Wichral faleceu e deixou a missão de concluir o local para os filhos, porém o projeto de formar ali um centro de referência no estado ficou apenas no papel. Os operários aos poucos foram deixando os cômodos e indo embora do local. Edilte e sua filha, ganharam por direito um terreno ao lado do complexo, onde residem até hoje. Uma série de furtos deixou o orfanato-escola apenas em ruínas.

Anos após, os filhos de José venderam o terreno para um empresário de Cachoeirinha. Atualmente a construção foi alugada para sediar campeonatos e treinamentos de paintball – esporte de combate individual.

Extra

Entre 1977 a 1979 o complexo sediou uma escola, batizada de Maria Steiner, nome de um judeu que na época da segunda guerra, abriu um espécie de abrigo para os refugiados da guerra. A professora da escola foi contratada pela família Wichral e não tinha nenhum vínculo com o município.

O local também ficou conhecido por aqueles que procuravam diversão durante a noite. Não foram poucas as vezes que os viajantes paravam no local, já que ali foi colada um placa com os dizeres “Casa das Ninfas”, em decorrência de uma fonte de água natural que tinha no local.

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