Desde 2007: Gravataienses querem “Tiro de Laço” como patrimônio imaterial

A iniciativa pioneira de reconhecer uma tradição campeira como patrimônio imaterial do Brasil surgiu em Gravataí. Teve como protagonistas o ex-prefeito, Acimar Silva, o atual Vereador Clebes Mendes e o tradicionalista Eduardo Fonseca Alves.

Desde 2007, Eduardo busca o reconhecimento do Tiro de Laço como Patrimônio Imaterial do Brasil, como forma de valorizar e proteger essa tradição. Em 2013, o Vereador Clebes Mendes se soma ao movimento assim, proposto e junto com o saudoso Acimar, foi realizada uma grande mobilização na Câmara de Vereadores de Gravataí com o objetivo de obter o reconhecimento de todas as formas de laço como Patrimônio Imaterial do Brasil.

O reconhecimento de um patrimônio imaterial envolve um procedimento que exige uma série de informações para possibilitar o enquadramento no conceito, algo que o tradicionalista Eduardo Fonseca Alves já vinha reunindo sobre o tiro de laço há mais de dez anos.

De posse dessas informações, Clebes promoveu uma audiência pública, onde obteve moção de apoio na Câmara e intercedeu para que partisse da Prefeitura de Gravataí a provocação da instauração do processo de registro do laço como bem cultural de natureza imaterial, junto ao Instituto do Patrimônio e Artístico Nacional – IPHAN, meio disponível no momento para obter o reconhecimento de um patrimônio imaterial nacional.

Ainda em 2013, participaram de audiência pública realizada da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, respaldados pela repercussão nas redes sociais de um manifesto produzido por Eduardo com o apoio do vereador Clebes Mendes, que teve mais de 160 mil visualizações. Dias depois apoiaram um ato de protesto exitoso em frente ao Palácio Piratini, pela suspensão da Guia de Trânsito Animal – GTA para cavalos, ocasião em que foi fundada por Cleber Vieira a Federação Gaúcha de Laço-FGL, idealizada por Eduardo Alves, que hoje conta com milhares de membros.

Já era do conhecimento de muitos tradicionalistas gravataienses, que o meio mais adequado de salvaguardar a tradição do laço seria o reconhecimento como patrimônio imaterial. Essa iniciativa contribuiria para a manutenção e continuidade dos rodeios e festas campeiras, eventos dos quais nossa cidade dá um “show de tradição”. Com a aprovação da PEC 304/2017, que foi votada ontem a noite, no plenário da Câmara dos Deputados em Brasília, muitas tradições campeiras Rio-grandenses, foram reconhecidas como atividade esportiva e cultural e, nesta condição como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Eduardo sempre defendeu a tese de que o laço era uma manifestação cultural em forma de esporte resultado de um processo de tradição. Em resumo, não deixava de ser tradição por ser esporte, o que ficou comprovado no texto da PEC. Assim, a visão do gaúcho de Gravataí hoje está na Constituição. O tradicionalista, laçador e pesquisador sobre a temática laço, Eduardo, acredita que este tema ainda terá diversos desdobramentos. O mesmo, informa que trabalhou especificamente o laço devido estar evidente que esta tradição era um patrimônio imaterial por envolver a transmissão de um saber – a técnica de laçar – através da oralidade.

“Gaúcho merece reconhecimento pela história de seu povo, por ser protagonista nos movimentos sociais brasileiros e por ter orgulho de sua gente. Já chamaram, eu e o Eduardo, de loucos por pensar tão grande, mas quer algo mais grande do que a nossa tradição!?” – argumenta o Vereador Clebes Mendes.

Ainda há muito o que ser trabalhado no campo do reconhecimento de tradições campeiras como patrimônio imaterial, mas no momento a aprovação da PEC 304 foi decisiva para manutenção de bases muito importantes da tradição gaúcha, como o laço e os rodeios.A gauchada que esteve na Câmara de Gravataí em 2013 não despendeu tempo em vão. Como está comprovado, o que buscavam esses tradicionalista era sim necessário.


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