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Desabamento do forro, elétrica comprometida e os riscos de incêndio; as ameaças na escola Tuiuti

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Escola fica localizada na Avenida Borges de Medeiros, no bairro Bonsucesso – Foto: Gabriel Siota Ganzer/Giro de Gravataí/Especial

A Escola Tuiuti, localizada no bairro Bonsucesso, é considerada uma das maiores instituições públicas estaduais da região. Com mais de mil alunos estudando em três turnos, a escola, que desde 1983 está situada naquele bairro, já se tornou referência também nas eleições, sendo o segundo maior colégio eleitoral de Gravataí, além de colecionar títulos em diversas modalidades, como; futsal e vôlei nos jogos Escolares do Rio Grande do Sul (Jergs). Em anos anteriores a escola chegou a ser contemplada com projeto Jovem de Futuro, iniciativa entre o Instituto Unibanco e o Governo Federal, preenchido por instituições que tinham elevados índices de aprendizagem entre as escolas públicas do RS.

No entanto, hoje ela vive uma outra realidade, e que preocupa os professores, os pais e prejudica o aprendizado dos alunos, principalmente dos mais novos. Um pavilhão que estudavam alunos de seis a dez anos precisou ser interditado devido ao desabamento do forro. Meses antes de vir à baixo, um problema no transformador da escola deixou os alunos cerca de 25 dias sem aula. Professores do turno da noite precisaram reduzir o horário de ensinamento e remanejar os alunos provisionalmente para um outro local, no Instituto Federal (IFSul), vizinho da escola.

O desabamento

Dividido em quatro grandes pavilhões, a escola mantinha turmas da primeira série ao terceiro ano estudando nas salas de aula. Foi durante uma das aulas com alunos da primeira que os professores notaram que parte do teto estava cedendo. Imediatamente remanejaram as crianças para outra sala. Demorou poucos dias para que o forro viesse a baixo de vez. Praticamente todas as salas daquele pavilhão ficaram inutilizáveis, obrigando os alunos a se dividirem nos demais espaços da escola, como sala de áudio e vídeo, biblioteca e até aulas no galpão da escola – local considerado pelos professores inapropriado para a aprendizagem dos alunos.

Vídeo gravado pela direção mostra a situação da sala comprometida.

Os choques e os riscos de incêndio 

Se não bastasse o desabamento, que por pouco não se tornou uma tragédia, o pavilhão já apresentava problemas elétricos. De acordo com a diretora da escola, Geovana Rosa Affeldt, devido a rede elétrica ser antiga, alunos, professores e funcionários já vinham relatando a energização do local. “Muitos relatos chegavam de que alunos estavam tomando choque. E isso não acontecia só nesse primeiro pavilhão, nos demais também. Acreditamos que seja por conta da fiação no teto, é antiga e com algum fio sendo condutor, pode ter energizado aquele pavilhão em específico. Com o ocorrido interditamos de vez ele”, disse ela.

Conforme um funcionário da escola, que preferiu não se identificar, o risco de incêndio pela elétrica antiga dos prédios é alto. “Todas a fiação é antiga, desde a época da instalação da escola aqui. Sem manutenção, diversos outros tipos de materiais podem estar servindo de condução para a energia dos fios. É muito comum esse energia entrar em contato com algum material de combustão e gerar um incêndio aqui. Quem entende um pouco de elétrica sabe que os riscos para um incêndio são altos aqui na escola. Já alertamos, mas o governo parece que fecha os olhos”, contou ele.

Burocracia gerou a perda de recursos

Com todos os problemas, a direção da escola montou um dossiê que foi encaminhado ao Governo do Estado, mais precisamente para a Secretaria Estadual de Educação. A essa altura, a escola já havia perdido cerca de R$ 120 mil reais, que correspondem a uma verba do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), e que precisaria ser aplicada na reconstrução da instituição até maio de 2018, o que não ocorreu.

“Recebemos a verba em 2016, e poderíamos usá-la para a reconstrução dos espaços que mais tarde iriam sofrer com estes problemas que tivemos na escola nos últimos meses. Nós montamos um projeto e enviamos à Secretaria de Educação, que negou, informando que apenas o engenheiro do estado poderia fazer um levantamento do local, e a partir disso o projeto seria validado. O problema é que só existe um engenheiro elétrico no estado. Com o projeto negado e sem tempo hábil, o dinheiro retornou aos cofres do banco”, contou Geovana.

“Sem saber o que fazer”

No último mês, os professores foram até a Câmara de Vereadores de Gravataí pedir ajuda. A diretora da escola também tem pré agendada a utilização na tribuna da Assembléia Legislativa para que os deputados consigam dar atenção a escola, que vai se deteriorando com o tempo, mas que também coloca em risco a vida da comunidade escolar. “É triste ver uma escola de nome, que é orgulho para muito gente, que formou muitas pessoas, hoje se encontrar nesta situação. E triste demais para nós que se dedicamos integralmente pelos alunos e por toda a comunidade. Que alguém possa olhar pela nossa amada escola”, finalizou a diretora.

A reportagem do Giro de Gravataí busca contato com a Secretaria de Educação do Estado para o contraponto. Os e-mails enviados pela redação ainda não foram respondidos.

 

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